A vida não para de falar de amor, por mais que simplesmente se queira mudar o foco.

Essa foi a minha conclusão, considerando os mais recentes acontecimentos.

Eis que, em uma agradável hora de almoço a questão surgiu em minha mente, um pouco sem razão específica, apenas fruto de pensamentos rotineiros, às vezes adormecidos, às vezes bem despertos. Então eu questionei: É possível amar algúem, por uma vida inteira e apenas no final dela poder desfrutar desse sentimento. Como é possível passar por toda a existência agindo de uma forma e pensando de outra?

Ultimamente, talvez por coincidência ou por destino (a diferença entre ambos, é confundível), isso tem passado demais pela minha vida, exemplos, histórias, papo furado de pessoas que quando já estavam entregando os pontos, passando a vez, conseguiram alcançar aquilo que lhes alimentou a esperança (ou o desespero) por toda a vida.

Pessoas, que tiveram os seus amores cruzados, que sofreram rasteiras da vida e por fim se conformaram de que o que aconteceu, o foi como deveria ser; mas lá no íntimo, na calada da noite, nos breves segundos antes de se deitar ou bem cedinho, no abrir dos olhos, lembravam-se com todo o carinho possível daquela pessoa, aquela que era a escolhida, que cada vez mais se parecia com o Norte, o guia a seguir na nossa jornada.

E eu ganhei, como resposta à minha dúvida um sonoro SIM, seguido de um discurso irrefutável de que isto acontece, é possível e comum.

Não que eu duvidasse disso, na verdade acredito mais do que qualquer um, porém, me agoniza pensar na materialidade disso, de viver a vida assim, desejando o que eu não tenho e pior, possa nunca ter, por que a garantia da felicidade do reencontro infelizmente não é matemática, não é uma certeza absoluta de que um dia, aquilo que te faz feliz possa realmente ser seu, como você tanto deseja.

Às vezes eu penso tanto sobre isso que me soa razoável e absoluto que tudo é apenas uma questão de tempo e de real querer. Todo mundo que já amou de verdade na vida, sabe que o amor é entrega absoluta, entrega até mesmo (e principalmente) ao tempo, a esperança de que aquilo que sentimos não é uma enganação, aquilo dentro de você é real.

Na continuação, a frase foi: “O amor é terra de ninguém, ali ningúem pisa, não se sabe como funciona”, não há que se saber NUNCA o que poderá acontecer com duas pessoas, com os sentimentos e com as vontades de cada um em estar junto. A vontade de dividir pode (e deve) ser tão grande, que não há barreiras pra isso se realizar, muito menos a fraca barreira do tempo.

Tudo isso soa como um pensamento utopico demais para mim, na verdade, esperançoso demais, porque eu ainda não tive a prova material disso, quem já teve, com certeza concorda com tudo isso e vai além, como a pessoa que me deu essa resposta.

Por isso eu prefiro ficar mesmo na berlinda e pensar que aprenderei como todo o resto da humanidade, vivendo. Porém, lá no fundo do peito não posso deixar de considerar o tamanho da dor de uma vida vivida assim,  a se esperar.

Quando sabemos que é chegado o tempo de desistir?

I’m having a daydream, we’re getting somewhere
I’m kissing your lips and running fingers through your hair
I’m as nervous as you ’bout making it right
Though we know we were wrong, we can’ t give up the fight