É o meu primeiro post, a idéia surgiu, demos linha mas a abandonamos logo em seguida.
No entanto, decidi por começar, antes tarde do que nunca. Espero que o outro idealizador dê também o ar de sua graça.
Quando me sentei para escrever, a primeira imagem que passou pela minha cabeça é a que está na apresentação do cabeçalho dessa página, de imediato, vi, que ela possui o espírito desse blog.
Retorno, assim que aqui me sentei, a imagem brotou em minha mente, como se fosse uma coisa normal, o que não é, há muito que não a vejo em lugar algum, no entanto, há quem saiba, que certas coisas só precisam ser vistas por uma vez. Nunca mais a mente esquece.
Dando nomes, é O Grito, do pinto norueguês Edvard Munch, todo mundo já foi obrigado a observá-la em alguma aula de Artes mau dada… A questão toda é, há quem simplesmente a vê e há quem simplesmente a imortaliza na memória. Sendo repetitiva, quando aqui me sentei, nessa cadeirinha em frente ao computador, o turbilhão presente constantemente em meu cérebro, parou, por breves segundos, buscou em si mesmo, alguma coisa que transcrevesse como as coisas tem se conduzido há algum tempo, digamos, que por vontade própria, eles quis materializar, deixar um pouco mais factível, tudo o tramita por ele.
Falando sobre O Grito, e talvez assim fique extremamente mais fácil; me permito pular todo o perfil do pintor, não sou a professora antiquada de artes, o importante é o contexto dessa obra. O seu estado de espírito está bem patente nas linhas que escreveu no seu diário:
- Passeava com dois amigos ao pôr-do-sol – o céu ficou de súbito vermelho-sangue – eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a mureta– havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade – os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e senti o grito infinito da Natureza.
O quadro foi exposto pela primeira vez em 1903, como parte de um conjunto de seis peças, intitulado Amor. A ideia de Munch era representar as várias fases de um caso amoroso, desde o encantamento inicial a uma rotura traumática. O Grito representava a última etapa, envolta em sensações de angústia.
Até aqui, já considero bem auto – explicativo, mas o que mais me intriga é, que esta era a interpretação de Munch, no entanto, sua obra permite que cada indivíduo possa adaptá-la a própria realidade, cada um pode prostrar-se àquela mesma ponte em Oslo e gritar, por aquilo mais lhe esteja sufocando, podemos dar a nossa mente o direito de associar esse personagem andrógeno àquilo que mais considerarmos conveniente.
Por isso digo que, em todo o torpor que se acha a minha consciência, ela resgatou O Grito e materializou o que eu jamais poderia descrever, essa imagem é mais do que suficiente.