“Extreme hopes are born from extreme misery.”
Bertrand Russell
“Extreme hopes are born from extreme misery.”
Bertrand Russell
Publicado em melhor dizer
“Difficult times have helped me to understand better than before, how infinitely rich and beautiful life is in every way, and that so many things that one goes worrying about are of no importance whatsoever”
Isak Dinesen
Claro que o título surgiu porque essa terra segue molhada, caótica e “vazia”.
Sexta-feira de chuva lembra infância, quando à tarde, depois de almoçar e colocar o uniforme da escola para lavar, depois até da sonequinha e já aboletados em frente à televisão, o nariz se enchia do cheirinho desse bolinho delicioso, fresquinho, que a nonna tirava da panela.
Em seguida ela providenciava uma neve de açúcar por cima, e colocava o cesto em cima da mesa.
Sexta-feira de chuva hoje em dia não tem mais isso. Tem cadeira com pés de rodinha. Café de máquina e biscoito de água e sal.
Quando foi que a vida se tornou essa pedra de gelo?
A compensação seria noite de pés enroscados, lençol amassado, chocolatinho quente talvez…
É a versão adulta para aquecer e animar os dias cinzas modorrentos.
Desejo muito disso para todo mundo. Faz o sábado amanhecer mais gostoso. Árvores ainda pingando o que restou da chuva no dia anterior, uma festinha de passarinhos de banho tomado.
Pastel de feira.
Tava aqui pensando por esses dias sobre o de sempre: trabalho, familia, amor, dinheiro, onde a vida vai nos levar? haha
Em algum momento, acabei chegando a conclusão de que na verdade eu estou esperando as coisas erradas. A verdade é assim: estou numa zona bastante confortável. Tenho uma familia linda, saúde, casa, comida, roupa, lavada. Amor.
Terminei a faculdade.
Arrumei um emprego (vários na verdd, rsrs).
Tá, e o que vem agora?
Foi então que me dei conta de que eu não tenho um plano, ou um desejo (mais ou menos, discutiremos isso mais adiante).
Poderia seguir o convencional, me inscrever numa pós-graduação e continuar enfeitando meu currículo, alimentando meu cérebro nerds. E foi isso o que eu fiz. Por 6 meses. Achei um saco. Talvez porque tenha escolhido o curso errado, ou simplesmente porque não queria gastar algumas noites estudando qualquer coisa mais…
O bom é que, a essa altura do campeonato é mais facil desistir e falar “não era o que eu esperava” . Mas só é mais fácil até a 2a. página. Familia como a minha já logo cobra “e aí, não vai fazer nada não, estudar, nada?”
E me enfio nessa sinuca. Vou ali fazer porque é obrigação? Desculpa, não vou fazer nada por obrigação.
E porque eu não haveria de querer estudar? Pq eu sou uma preguiçenta? Também não acho isso. Só acho que nada me inspira a dispender todo o meu trabalho, energia e genialidade (humilde!). Nada parece valer a pena o suficiente. Pelo menos não por enquanto.
E então eu volto a pensar o que eu quero fazer.
A única coisa que me surge, e sempre esteve aqui por todos esses anos é aquela vontade, quase um instinto, de enfiar umas roupas na mala, tirar o passaporte da gaveta, raspar o dinheiro da conta (hahahaha ou seja, nada) e viajar.
Sem tempo pra volta, sem muitos planos. Conhecer o mundo todo, toda a história em cada lugar, em cada gente. Me dá até arrepio na nuca de pensar em como isso pode ser fenomenal.
Tudo o que pensei me levou a concluir que minha vida atingiu uma zona de conforto, porém totalmente estática.
Preciso obrigatoriamente sair dela. Porque, sério mesmo, estou esperando meu pai arranjar meu casamento com o filho de algum nobre que venha em casa me buscar e levar pro meu novo castelo? (nossa, que merda).
Mas o raciocínio é mais ou menos esse. O que eu quero fazer? Quando? Como? Já passou bem dessa hora.
Tanto é verdade, que todos os dias surgem mensagens subliminares no meu caminho. Ontem passei por uma lixeira pixada: “saia do seu feudo”.
Agora abri um newsletter que começava com a seguinte citação: “Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro” (M.A).
Acho que neste momento estou fazendo uma análise de fora pra dentro e não estou gostando nada do que está aqui.
PS: Senhora minha mãe diria “tá sem serviço né, pra perder tempo pensando bobeira”. Ela é o amor de minha vida, mas não adianta. Nunca vai enxergar como eu. Que o trabalho é pra pagar a cerveja, não pra ser a função de minha existência na terra e o motivo pelo qual acordo todos os dias.
Publicado em melhor dizer
Achei esse texto blogueando por aí, salvei nos meus arquivos e agora não consigo dar os devidos créditos. Então, se for seu, pode me dar um chute na canela aí pelos comentários.
Resolvi compartilhar aqui porque, verdade ou não (cientificamente falando), o texto me deixou a pensar bastante nesse processo de transformação. De mudança. Como as nossas escolhas nos levam por um caminho tão difícil, mas muitas vezes inevitável. Mudar é muito difícil, mas parece que é tudo o que se precisa para viver feliz.
A Águia é uma ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver cerca de 70 anos,porém,para chegar a essa idade,aos 40 anos ela precisa tomar uma séria e dificil decisão. Aos 40 anos,suas unhas estão compridas e flexíveis,e já não conseguem mais agarrar as presas,das quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo,se curva. Apontando contra o peito estão as asas envelhecidas e pesadas,em função da grossura das penas,voar aos 40 anos já é bem difícil. Nesta situação,a Águia só tem duas alternativas:deixar ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias.
Este processo consiste em voar para o alto de uma montanha e lá recolher-se, em um ninho que esteja próximo a um paredão. Um lugar onde,para retornar,ela necessite dar um vôo firme e pleno.
Ao encontar este lugar,a Águia começa a bater o bico contra a parede até arrancá-lo,enfrentando corajosamente a dor que esta atitude acarreta. Espera nascer outro bico,com o qual irá arrancar suas velhas unhas. Com as novas unhas começa a arrancar as velhas penas. Após cinco meses,”renascida”,sai para o famoso vôo de renovação,para viver então mais trinta anos.
Muitas vezes, em nossas vidas,temos que nos resguardar por um tempo e começar um processo de renovação.Devemos nos desprender de nossos medos e outras situações que não nos deixa seguir em frente para que continuemos a voar.Somente quando livres do temor ,podemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz. Um vôo de vitória
Publicado em melhor dizer
“Não faças do amanhã o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás … mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te”
Chaplin, Charles
Publicado em melhor dizer
“…Has someone taken your faith?
It’s real, the pain you feel
The life, the love
You die to heal
The hope that starts
The broken hearts
You trust, you must
Confess
Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?…”
Am I getting the best? I trust. I must?
Meu bisavô, Seu Antônio Colhado Coelho foi caminhoneiro. Era da Mooca e como muitos outros, trabalhou de algum jeito no Cotonifício fazendo uns bicos. Minha bisa (a Dona Mariana) trabalhou uns 20 e tantos anos lá. Nos dias de pagamento dava dinheiro pra minha Avó tomar um bonde e encontrá-la no centro de São Paulo, para um sorvete ou algo assim. Era a única regalia do mês, contas apertadas, meados dos anos 50. São todas informações um pouco imprecisas, passaram de uma cabeça pra outra, contadas nos almoços demorados, falantes, cheios de gesticulações na Rua do Chaco.
Foi dessas histórias que me lembrei assim que entrei na Rua Javari pela primeira vez. Era jogo de meio de semana, como se diz. Ao redor do Estádio Conde Rodolfo Crespi, aquela sensação de cotidiano, trabalho, barulho de metal caindo no chão.
Mas era uma sensação um pouco diferente e aos poucos uma movimentação de Juventinos começava a mudar o cenário. Logo chegavam os primeiros garotinhos. Aula pela manhã, almoço em casa, camisa do Juventus, Estádio. Pelo menos era isso que dava pra imaginar, vendo os grupos de 3 ou 4 sorridentes, faceiros, chegando com toda empolgação à cancha naquela quarta-feira.
Entrada, 5 reais (porque mulher paga meia). Dentro do Estádio, ali sim muita, mas muita história pra se contar. É quase possível sentir todas as lutas, travadas dentro e fora de campo, por jogadores, torcedores, operários. É história de vida de muita gente.
No olhar dos mais velhos e também nos dos mais novos é possível perceber que cada um tem uma história de vida ligada ao Juve, ao Estádio, àquele cimento e até aos indescritíveis cannolis (desculpa, mas é muito gostoso por demais pra eu não citar aqui de algum jeito).
É possível sentir tudo isso da primeira vez que se vai ao Estádio da Rua Javari, e em todas as outras vezes também. Com a mesma intensidade.
E acredite. Quando não se vai também. Porque o vicio disseminado naquele gramado te faz ouvir as partidas que não pode acompanhar ao vivo pela rádio, pelo lance a lance da internet, de qualquer jeito. E a emoção do narrador te coloca na arquibancada. Cantando loucamente. DALEEEE JUVEEE!!!
Todo mundo ali dentro tem uma história, um amor. Ir até a Javari é reencontrar o que mais se ama na vida: a família, os amigos. É reencontrar o sonho de um futebol que um dia existiu no Brasil, o futebol de arquibancada, de alma, de paixão, de valores.
Ali ele existe. Nos olhos dos torcedores mais velhos e também nos dos mais jovens, incansáveis, 90 minutos, sem intervalo, ali alentando!!
Existe no coração de quem consegue se pendurar no alambrado, no daqueles que mal alcançam a mureta para poder enxergar, mas que já aprenderam a maravilha que é aquele momento, aquele futebol. Existe principalmente para os bons e velhos Juventinos, já de bonés surrados, passos lentos mas de coração bem forte, italiano, esperançoso.
Que a Javari nunca acabe. Que todos aqueles que vestirem a Camisa Grená saibam exatamente a sua importância. Honrem-na, no mínimo.
ÓDIO ETERNO AO FUTEBOL MODERNO
é memória e sonhos, confusão entre a realidade e a imaginação. olhar pela janela durante a noite e observar um céu laranja, cheio de história… é o cheiro da chuva, o vento que bate no rosto. saudade é ouvir o coração falando.
“everything i know, i know only because i love” War and Peace. Tolstoy
Publicado em melhor dizer